Juizes - Apostasia e Livramento de Israel - Histórico

Esboço
I - A Desobediência e a Apostasia de Israel (1.1—3.6)
A} - Israel Deixa de Expurgar a Terra (1.1—2.5)
B} - O Desvio Calamitoso de Israel (2.6—3.6)
II - A Opressão Estrangeira de Israel e os Juízes Libertadores (3.7—16.31)
A} - Opressão Mesopotâmica - Livramento por Otniel (3.7-11)
B} - Opressão Moabita - Livramento por Eúde (3.12-30)
C} - Opressão Filistéia - Livramento por Sangar (3.31)
D} - Opressão Cananéia - Livramento por Débora e Baraque (4.1—5.31)
E} - Opressão Midianita - Livramento por Gideão (6.1—8.35)
F} - Tempos Conturbados sob Abimeleque, Tola e Jair (9.1—10.5)
G} - Opressão Amonita - Livramento por Jefté (10.6—12.7)
H} - Juízes Secundários - Ibsã, Elom e Abdom (12.8-15)
I} - Opressão Filistéia - Vida de Sansão (13.1—16.31)
1. Nascimento e Chamada de Sansão (13.1-25)
2. Casamento de Sansão com uma Incrédula (14.1-20)
3. Proezas de Sansão (15.1-20)
4. Queda e Restauração de Sansão (16.1-31)
III - Decadência Espiritual, Moral e Social de Israel (17.1—21.25)
A} - Idolatria (17.1—18.31)
1. Exemplo de Idolatria Individual (17.1-13)
2. Exemplo de Idolatria Tribal (18.1-31)
B} - Devassidão (19.1-30)
1. Um Exemplo de Devassidão Pessoal (19.1-9)
2. Um Exemplo de Devassidão Tribal (19.10-30)
C} - Lutas tribais (20.1—21.25)

Autor: Anônimo
Tema: Apostasia e Livramento
Data: Cerca de 1050—1000 a.C.

Considerações Preliminares
O livro de Juízes é o principal elo histórico entre Josué e o período dos reis de Israel. O período dos juízes vai de 1375 a 1050 a.C., aproximadamente. Nesse tempo, Israel era uma confederação de tribos. O nome do livro deriva das pessoas que Deus levantava periodicamente para conduzir e libertar os israelitas, após se desviarem para a apostasia e caírem vítimas da opressão de nações vizinhas estrangeiras. Os juízes (treze deles são mencionados neste livro) vieram de várias tribos e funcionavam como chefes militares e magistrados civis. Muitos se limitavam à sua própria tribo quanto à esfera de influência, ao passo que alguns serviam a toda a nação de Israel. Samuel, geralmente considerado o último dos juízes e o primeiro dos profetas, não é mencionado neste livro.
A autoria de Juízes é incerta. O próprio livro indica os seguintes limites cronológicos de sua composição: (1) foi escrito depois da remoção da arca, de Siló, nos tempos de Eli e de Samuel (18.31; 20.27; 1 Sm 4.3-11); (2) as referências freqüentes do livro ao período dos juízes, com a declaração: “Naqueles dias, não havia rei em Israel” (17.6; 18.1; 19.1; 21.25), sugere que o livro foi escrito no tempo da monarquia; (3) Jerusalém ainda estava em poder dos jebuseus (1.21; 2 Sm 5.7). Esses três indícios indicam que o livro foi concluído nalgum tempo depois do início do reinado do rei Saul (c. 1050 a.C.) mas antes do rei Davi capturar Jerusalém (c. 1000 a.C). O Talmude judaico associa a origem deste livro a Samuel, o que é bem possível.
Uma coisa é certa: o livro descreve e avalia o período dos juízes do ponto de vista do concerto (2.1-5). Moisés tinha profetizado que a opressão viria da parte das nações estrangeiras sobre os israelitas como maldição da parte de Deus, se eles abandonassem o concerto (Dt 28.25, 33, 48). O livro de Juízes ressalta a realidade histórica dessa profecia.
Propósito
Historicamente, Juízes fornece o relato principal da história de Israel na terra prometida, da morte de Josué aos tempos de Samuel. Teologicamente, revela o declínio espiritual e moral das tribos, após se estabelecerem na terra prometida. Esse registro deixa claro os infortúnios que sempre ocorriam a Israel quando ele se esquecia do seu concerto com o Senhor e escolhia a senda da idolatria e da devassidão.
Visão Panorâmica
O livro de Juízes pode ser dividido em três seções básicas. (1) Seção I (1.1—3.6). Mostra como Israel deixou a conquista inacabada e também a decadência da nação depois da morte de Josué. (2) Seção II (3.7—16.31). Abarca a parte principal do livro. Registra seis exemplos de reincidência de Israel em revezes diversos no período dos juízes, abrangendo tempos de apostasia, de opressão por estrangeiros, de servidão, de clamor a Deus sob aflição e de livramento divino do povo, mediante líderes ungidos pelo Espírito Santo. Entre os treze juízes (todos incluídos nesta seção do livro), os mais conhecidos são Débora e Baraque (agindo em conjunto), Gideão, Jefté e Sansão (Hb 11.32). (3) Seção III (17.1—21.25). Esta seção encerra o livro com fatos da vida real dos tempos dos juízes, que revelam a profundidade da corrupção moral e social decorrente da apostasia espiritual de Israel. Uma lição patente no livro para todos nós: os seres humanos nunca aprendem bem as lições que a história ensina.
Características Especiais
Seis características especiais relevam o livro de Juízes. (1) Registra eventos da história turbulenta de Israel, da conquista da Palestina ao início da monarquia. (2) Ressalta três verdades simples, porém profundas: (a) um povo que pertence a Deus deve ter a Deus como seu Rei e Senhor; (b) o pecado é sempre destruidor para o povo de Deus; e (c) sempre que o povo de Deus se humilha, ora, e deixa seus caminhos ímpios, Deus ouve do céu e sara a sua terra (2 Cr 7.14). (3) Salienta que quando Israel perdia de vista a sua identidade como o povo do concerto, tendo Deus como seu rei, a nação afundava em ciclos repetidos de caos espiritual, moral e social, e então “cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (21.25; cf. 17.6). (4) Revela vários casos que ocorrem repetidamente na história do povo de Deus, dos dois concertos: (a) a não ser que o povo de Deus ame e dedique-se a Deus de todo coração e mantenha uma constante vigilância espiritual, esse povo endurecerá o coração, deixará de buscar a Deus, se desviará e acabará na apostasia; (b) Deus é longânimo, e sempre que os seus clamam arrependidos, Ele é misericordioso para restaurá-los, por meio de homens que Ele levanta, com dons e revestimento do Espírito Santo, para livrá-los do juízo opressivo do pecado; e (c) constantemente, os próprios líderes ungidos, que Deus usa para livrar o seu povo, entram pelo caminho da corrupção, por falta de humildade, de caráter ou de retidão. (5) Cada um dos seis ciclos principais do livro, abrange apostasia, opressão, aflição e libertação, e começam, todos, da mesma forma: “Então, fizeram os filhos de Israel o que parecia mal aos olhos do Senhor” (2.11; 3.7). (6) O livro revela que Deus usava nações mais pecaminosas do que o seu próprio povo para fustigá-lo pelos seus pecados e para levá-los ao arrependimento e reavivamento. Somente essa intervenção divina impediu que o paganismo ao redor de Israel o absorvesse.
Paralelismo entre o Livro de Juízes e o NT
O livro de Juízes revela um princípio divino imutável: quando Deus usa grandemente uma pessoa no seu serviço, “vem sobre ele o Espírito do Senhor” (3.10; 6.34; 11.29; 14.6, 19; 15.14). No início do ministério de Jesus, o Espírito desceu sobre Ele por ocasião do seu batismo (Mt 3.16; Lc 3.21,22a). Antes de subir ao Pai, Jesus mandou seus discípulos aguardarem a promessa do Espírito (At 1.4,5); a razão para isso foi que receberiam poder quando o Espírito Santo viesse sobre eles (At 1.8; 4.33). Em ambos os concertos, o modo de Deus derrotar o inimigo e promover o avanço do seu reino é mediante a energia, força e poder do Espírito Santo operando através de instrumentos humanos submissos e obedientes.

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