1º Crônicas - A História de Israel Sob o Prisma da Redenção - Historico

Esboço
I - Genealogias: Adão à Restauração Pós-Exílica (1.1—9.44)
A} - Adão a Abraão (1.1-27)
B} - Abraão a Jacó (1.28-54)
C} - Jacó a Davi (2.1-55)
D} - Davi ao Exílio Babilônico (3.1-24)
E} - Genealogias das Doze Tribos (4.1—8.40)
F} - Genealogias do Remanescente (9.1-34)
1. As Tribos que Retornaram (9.1-9)
2. Os Sacerdotes que Retornaram (9.10-13)
3. Os Levitas que Retornaram (9.14-34)
G} - Genealogia de Saul (9.35-44)
II - Davi: A Importância Perene do Seu Reinado (10.1—29.30)
A} - A Morte de Saul e de Seus Filhos (10.1-14)
B} - A Tomada de Jerusalém e os Valentes de Davi (11.1—12.40)
C} - O Retorno da Arca, a Restauração do Culto e o Estabelecimento do Reino (13.1—16.43)
D} - O Concerto de Deus com Davi (17.1-27)
E} - Vitórias Militares de Davi (18.1—20.8)
F} - O Censo Pecaminoso de Davi (21.1-30)
G} - Preparativos Completos de Davi para a Edificação do Templo (22.1-19)
H} - Davi Organiza os Levitas para o Ministério do Templo (23.1—26.32)
I} - A Organização Administrativa de Davi (27.1-34)
J} - Preparativos Finais de Davi para a Sucessão e o Templo (28.1—29.20)
K} - A Coroação de Salomão e a Morte de Davi (29.21-30)

Autor: Esdras (?)
Tema: A História de Israel Sob o Prisma da Redenção
Data: 450 – 420 a.C.

Considerações Preliminares
A história registrada em 1 e 2 Crônicas é pré-exílica; a origem e a perspectiva do livro, no entanto, são pós-exílicas, escritas na segunda metade do século V a.C., algum tempo depois de Esdras, quando um segundo grande grupo de exilados judeus, provenientes de Babilônia e da Pérsia, regressaram à Palestina (457 a.C.). As invasões de Israel e a destruição de Jerusalém pelo rei Nabucodonosor (606—586 a.C.), além dos 70 anos subseqüentes do cativeiro babilônico, aniquilaram muitas das esperanças e ideais dos judeus como o povo do concerto. Por isso, os exilados que voltaram para reedificar Jerusalém e o templo precisavam de um alicerce espiritual, i.e., um meio de identificação com sua história redentora anterior e uma compreensão da sua fé presente e esperança futura como o povo do concerto. 1 e 2 Crônicas foram escritos para suprir essa necessidade e avivar a esperança desses exilados que agora retornavam.
Os livros das Crônicas, Esdras e Neemias foram escritos para os judeus que retornaram do exílio para a Palestina, e têm muito em comum quanto ao estilo, linguagem, perspectiva e propósito. Os eruditos crêem, de comum acordo, que estes livros tiveram um único autor ou compilador que, segundo o Talmude e a maioria dos eruditos judeus e cristãos antigos, foi Esdras, o sacerdote e escriba. Posto que 1 e 2 Crônicas foram escritos do ponto de vista sacerdotal, e que os versículos finais de 2 Crônicas (36.22,23) são idênticos a Esdras 1.1-3, a tradição talmúdica de que Esdras foi “o cronista” fica assim reforçada.
O autor consultou numerosos registros escritos ao escrever Crônicas (ver 1 Cr 29.29; 2 Cr 9.29; 12.15; 20.34; 32.32). Como líder espiritual, Esdras teve acesso a todos os documentos existentes na escritura de Crônicas. Esta é uma antiga tradição que pode indicar com exatidão os meios que o Espírito Santo utilizou para guiar e inspirar o autor humano na composição desses dois livros.
Propósito
Os livros das Crônicas foram escritos para vincular os judeus egressos do cativeiro aos seus antepassados e à sua história messiânica. Assim fazendo, eles ressaltam três coisas: (1) a importância da preservação das tradições raciais e espirituais pelos judeus; (2) a importância da lei, do templo e do sacerdócio no seu contínuo relacionamento com Deus, muito mais importante do que sua lealdade a um rei terreno; e (3) a esperança máxima de Israel na promessa divina de um descendente messiânico de Davi assentar-se no trono para sempre (1 Cr 17.14).
Visão Panorâmica
Embora a origem e a perspectiva de 1 e 2 Crônicas sejam pós-exílicas, apresentam uma visão panorâmica da história do AT desde Adão até o decreto de Ciro (c. 538 a.C.), quando, então, os judeus receberam permissão de regressar do exílio em Babilônia e na Pérsia. 1 Crônicas gira em torno de dois temas principais: a história genealógica de Israel (1—9) e o reinado do rei Davi (10—29).(1) Os caps. 1—9 narram a incomparável história redentora de Israel, de Adão a Abraão, Davi e o exílio em Babilônia. A tribo de Judá ocupa o primeiro lugar entre os doze filhos de Jacó, porque dela provieram Davi, o templo e o Messias. As genealogias revelam como Deus escolheu e preservou um remanescente para si mesmo desde os primórdios da história da humanidade até o período pós-exílico. A perspectiva sacerdotal deste livro é evidente através da atenção especial dedicada às famílias dos sacerdotes e levitas.(2) Os caps. 10—29 tratam do reinado de Davi. Os valentes de Davi (11—12) e seus grandes feitos (14; 18—20) são ressaltados. De igual modo os levitas, sacerdotes e músicos da sua corte (23—26). O autor enfatizou aquilo que Davi fez ao reintegrar a arca do concerto e estabelecer Jerusalém como a sede do culto a Deus em Israel (13—16; 22;28;29). Diferente de 2 Samuel, 1 Crônicas não enuncia os repugnantes pecados de Davi e suas subseqüentes e trágicas conseqüências. Ao invés disso, o livro retrata aquilo que não aparece em 2 Samuel: as diligentes e detalhadas providências de Davi para edificar o templo e estabelecer a adoração ao Senhor Deus. Essas omissões e adições da parte do Espírito Santo tinham o propósito de satisfazer as necessidades do povo de Deus do pós-exílio.
Características Especiais
Cinco características principais destacam 1 Crônicas. (1) Cobre, aproximadamente, o mesmo período histórico de 1 e 2 Samuel. (2) Suas genealogias (1—9) são as mais longas e mais completas da Bíblia. Sabendo-se que os livros de 1 e 2 Crônicas constituem a última parte do AT hebraico, segundo a ordem de seus livros, essas genealogias foram ali convenientemente colocadas para proporcionarem inspiração e conteúdo às genealogias do Messias no início do NT. (3) Descreve vividamente a renovação e restauração sem precedentes de todas as formas de culto ao Senhor quando Davi levou a arca do concerto a Jerusalém (15;16). (4) Destaca o concerto de Deus com Davi (cap. 17), enfocando principalmente a esperança de Israel no Messias prometido. (5) Sua história seletiva reflete a perspectiva sacerdotal do autor inspirado, no tocante ao restabelecimento do templo, da lei e do sacerdócio entre os que voltaram do exílio, em Jerusalém.
O Livro de 1 Crônicas Face ao NT
O registro genealógico a partir de Adão até o exílio em Babilônia, inclusive dos reis davídicos e os seus descendentes (caps. 3;4), supre os dados necessários às genealogias no NT de Jesus o Messias em Mateus (1.1-17), e de Jesus o Filho de Deus em Lucas (3.23-28). O cenário de Davi em 1 Crônicas, assentado no trono do Senhor e reinando (17.14), prefigura a vinda do “Filho de Davi”, messiânico, Jesus Cristo.
Fidedignidade Histórica de Crônicas
Certos críticos inescrupulosos consideram Crônicas uma história forjada ou distorcida e daí menos fidedigna do que o registro de Samuel e Reis. Na realidade, Crônicas é uma história altamente seletiva, mas não é verdade que seja invencionice. Ela ressalta, sim, os aspectos relevantes da história judaica. Não é verdade que ela encobre as falhas da nação (e.g., 1 Cr 21). A inexistência da matéria histórica contida em Samuel e Reis, pressupõe que seus leitores conheciam esses livros. Muitas das declarações históricas que se acham somente em 1 Crônicas foram comprovadas pelas descobertas arqueológicas; nenhuma foi tida como farsa.

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